VII Biodiesel Week reúne setor e debate próximos passos para o B20 e B25

    12 de agosto de 2026

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O futuro do biodiesel brasileiro passa por mais produção, mais tecnologia e segurança para avançar. Essa foi uma das principais mensagens da VII Biodiesel Week, realizada nesta quarta-feira, 12, em Brasília. Promovido pela Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), o evento reuniu representantes do governo, indústria, agronegócio, universidades e setor produtivo para discutir os caminhos da transição energética e a evolução das misturas de biodiesel no diesel.

Com o tema “Agricultura e transição energética: produzir, alimentar e descarbonizar”, o encontro contou com a participação da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, na abertura, ao lado de Irineu Boff, presidente do Conselho Superior da Ubrabio; Bruno Laviola, chefe-geral da Embrapa Agroenergia; Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do MAPA; Renato Dutra, secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME; e Donizete Tokarski, presidente executivo da Ubrabio.

Ao longo da manhã, os debates foram divididos em dois painéis. O primeiro, “Como o mercado de biocombustíveis fortalece a indústria nacional”, reuniu William Nozaki, diretor Executivo de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras; Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial e vice-presidente de Relações Associativas e Institucionais da Ubrabio; Marcelo Lyra, vice-presidente de Relações Institucionais, Desenvolvimento Territorial, ESG e Comunicação da Acelen e vice-presidente de Relações Internacionais da Ubrabio; e Adriano Barauna, presidente do Grupo Cereal e vice-presidente Administrativo da Ubrabio.

A discussão mostrou como o biodiesel conecta produção agrícola, indústria, investimentos e geração de empregos, ampliando o valor agregado das matérias-primas brasileiras e fortalecendo a indústria nacional.

Na sequência, o painel “B20 e B25: o instrumento de soberania energética” colocou em debate os aspectos técnicos e estratégicos da ampliação das misturas. Participaram André Lavor, CEO da Binatural e vice-presidente Técnico da Ubrabio; Renato Romio, gerente de Divisão do Instituto Mauá de Tecnologia; Lorena Mendes, diretora do Departamento de Biocombustíveis do MME; Donato Aranda, diretor da Unidade Protótipo de Catalisadores (PROCAT) e do Laboratório de Intensificação de Processos e Catálise (LIPCAT) da UFRJ e consultor técnico da Ubrabio; e Rodrigo Mallmann, presidente do Ibriesbio e secretário-executivo da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FPBio).

Um dos destaques foi o programa nacional de testes das misturas B20 e B25. O trabalho prevê 6.300 horas de testes, 2.250 ensaios físico-químicos e cerca de 20 veículos, entre modelos leves, pesados e agrícolas, além de um gerador. Ao todo, serão utilizados 330 mil litros de combustível nas avaliações.

Segundo Lorena Mendes, o programa foi construído a várias mãos, envolvendo produtores de biocombustíveis, distribuidoras, Petrobras, montadoras, universidades, laboratórios e outros representantes da cadeia. A execução está prevista para ser concluída em fevereiro de 2027, quando os resultados deverão subsidiar as decisões sobre os próximos passos da política de biodiesel.

Para Donato Aranda, a expansão das misturas também representa impactos diretos sobre a agricultura, a indústria e a economia brasileira. Segundo dados apresentados durante o evento, cada ponto percentual adicional na mistura representa aproximadamente 800 milhões de litros a mais de biodiesel, 4 mil empregos adicionais, 5 mil agricultores familiares beneficiados e mais de 3 milhões de toneladas de CO₂ retiradas da atmosfera.

Para o presidente executivo da Ubrabio, Donizete Tokarski, a VII Biodiesel Week reforçou a importância de tratar o biodiesel como uma agenda estratégica para o país.

“O biodiesel não é apenas uma alternativa ao diesel fóssil. Ele é uma política de desenvolvimento que conecta agricultura, indústria, ciência, tecnologia, geração de empregos e segurança energética. O Brasil tem uma experiência única e precisa transformar essa vantagem em mais investimentos, mais inovação e mais soberania para o país.”, afirma Donizete Tokarski.

Confira as principais falas

  • Donizete Tokarski, presidente executivo da Ubrabio: “O biodiesel não é apenas uma alternativa ao diesel fóssil. Ele é uma política de desenvolvimento que conecta agricultura, indústria, ciência, tecnologia, geração de empregos e segurança energética.”
  • Renato Romio, Instituto Mauá de Tecnologia: “O Brasil está analisando com base no que tem. Isso dá credibilidade. Esse é o ponto mais importante e que permite a gente avançar mais.”
  • Lorena Mendes, diretora do Departamento de Biocombustíveis do MME: “O papel mais importante e relevante desse programa de testes é garantir que a gente continue avançando nos teores de mistura com segurança jurídica e, sobretudo, segurança técnica.”
  • Rodrigo Mallmann, presidente do Ibriesbio e secretário-executivo da FPBio: “Nosso desafio maior foi colocar governo, produção de biodiesel e setor automotivo na mesma mesa e fazer um plano de trabalho aprovado por todos, o que inclui 16 laboratórios e mais de seis mil horas de testes mecânicos e mais de dois mil ensaios físico-químicos.”