Manifesto pela ampliação da mistura de biodiesel para B16
- 3 de março de 2026
A escalada do conflito no Irã e sua possível expansão para todo o Oriente Médio impõem uma reflexão urgente sobre a vulnerabilidade do mercado internacional de petróleo. Sempre que há instabilidade geopolítica naquela região, os preços do barril reagem imediatamente, pressionando cadeias produtivas, inflação e custos logísticos no mundo inteiro.
O Brasil é um grande produtor de petróleo, mas possui uma fragilidade estrutural relevante: importamos aproximadamente 25% do diesel que consumimos. Isso significa que, mesmo sendo exportadores de petróleo bruto, permanecemos expostos às oscilações externas no abastecimento e no preço do diesel refinado.
Esse cenário exige uma reflexão estratégica de médio e longo prazo sobre a ampliação da capacidade nacional de refino. Contudo, diante da crise atual, há uma medida imediata, concreta e viável: fortalecer os biocombustíveis, especialmente o biodiesel.
A elevação da mistura para o B16 é absolutamente necessária neste momento de instabilidade internacional. Cada ponto percentual adicional de biodiesel reduz a necessidade de importação de diesel fóssil, diminui a exposição cambial, amplia a segurança energética e fortalece a produção nacional.
Se o Brasil não tivesse hoje a mistura de 15% de biodiesel no diesel, a dependência externa seria ainda maior, a vulnerabilidade mais acentuada e o impacto sobre preços internos muito mais severo. A política de mistura obrigatória já funciona como instrumento de blindagem econômica e energética.
Avançar para o B16 representa uma resposta imediata à escalada dos preços internacionais e à instabilidade no fornecimento global. Além de reduzir a dependência externa, a medida gera efeitos positivos na cadeia produtiva nacional, estimula a indústria instalada, fortalece o campo e amplia a circulação de renda no interior do país.
Diante da crise geopolítica em curso, ampliar a mistura de biodiesel não é apenas uma agenda ambiental ou setorial. É uma decisão estratégica de soberania energética, estabilidade econômica e proteção do consumidor brasileiro.
Ir a B16 agora é ampliar a blindagem do Brasil frente à instabilidade internacional.
Deputado Arnaldo Jardim, presidente da Frente do Biogás e Biometano e coordenador da Coalizão pelos Biocombustíveis
Deputado Alceu Moreira, presidente da Frente do Biodiesel
Deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Agropecuária