Opinião: Brasil, motor verde do planeta
- 27 de fevereiro de 2026
É possível desenvolver a economia, gerar emprego e proteger o planeta ao mesmo tempo. Esse foi o recado claro e objetivo do setor de biocombustíveis durante a COP30, realizada em Belém, no Pará. A transição energética deixou de ser uma meta abstrata do futuro distante. Ela é, agora, uma oportunidade concreta de crescimento, inovação e inclusão, e os biocombustíveis estão no centro dessa transformação.
Numa demonstração inédita de unidade setorial, quinze entidades dos segmentos de biocombustíveis, indústria automotiva e autopeças compartilharam estande no maior evento climático do mundo. Juntas, mostraram ao planeta o pioneirismo brasileiro em mobilidade sustentável, inovação agrícola e desenvolvimento tecnológico. Foi uma vitrine da capacidade do Brasil de oferecer soluções reais para um problema global.
O país já dispõe de infraestrutura, know-how e escala para liderar a transição energética com alternativas renováveis de alta performance. Biodiesel, etanol, biogás e biometano são exemplos bem-sucedidos de soluções que nascem no campo e movimentam a economia com menos emissões, mais empregos e mais renda. São produtos que reduzem a dependência de combustíveis fósseis, dinamizam a economia e fortalecem a agroindústria.
O etanol, por exemplo, substitui a gasolina há mais de quatro décadas, sendo um dos únicos casos no mundo de substituição estrutural de combustível fóssil em larga escala. O biodiesel, por sua vez, movimenta o setor de transporte rodoviário, estimula a cadeia da soja e das proteínas animais, pela produção de farelo, além de garantir inclusão produtiva em rincões pelo país. O biometano e o biogás ampliam o potencial de descarbonização do setor de energia, promovendo o aproveitamento de resíduos e garantindo eficiência energética.
Mas esse protagonismo não se consolida por inércia. É fundamental garantir políticas públicas consistentes, segurança jurídica e ambiente regulatório estável. O setor cobra, com razão, previsibilidade para investir, desenvolver tecnologias e ampliar a produção. No Congresso Nacional, entidades e parlamentares atuam para aprovar marcos regulatórios e aperfeiçoar a legislação, garantindo isonomia, crédito, incentivos e integração com outras agendas, como, por exemplo, a Lei do Combustível do Futuro.
A transição energética precisa reconhecer e potencializar as vantagens comparativas nacionais. Somos líderes em energia renovável, agropecuária de baixo carbono e matriz limpa. O produtor rural, por sua vez, é peça-chave nesse processo, sendo o elo que liga energia e alimentos, campo e cidade, sustentabilidade e produtividade.
Não existe futuro sustentável sem o Brasil. E não existe transição energética sem os biocombustíveis. Eles alavancam políticas públicas, atraem investimento privado, respondem às exigências ambientais dos mercados internacionais e são plenamente aderentes à agenda ESG, sendo produtos modernos, rastreáveis e de alta qualidade.
Enquanto o mundo debate o que fazer, o Brasil mostra o que já faz. A COP30 foi o palco ideal para reafirmar que temos vocação para sermos líderes. O desafio é transformar esse potencial em estratégia de Estado.
É hora de juntar esforços públicos e privados, nacionais e internacionais, para garantir que o Brasil como motor verde do planeta.
Por Alceu Moreira, deputado federal, presidente da FPBio e da FUG
Publicado originalmente na Revista Voto