Seminário reforça biocombustíveis como eixo estratégico da transição energética
- 25 de fevereiro de 2026
O embaixador André Corrêa do Lago participou nesta quarta-feira, 25, do seminário “Mapa do Caminho – Biocombustíveis: a Rota mais Curta”, na Câmara dos Deputados. O encontro reuniu parlamentares e representantes do setor produtivo para discutir o papel estratégico dos biocombustíveis na política energética brasileira.
Ao abordar o cenário internacional, o embaixador destacou que a agenda climática exige capacidade de negociação e construção de consensos. “A gente sabia que a essência da COP30 é uma negociação”, afirmou. Segundo ele, o avanço da transição energética depende de coordenação institucional e definição clara de metas, especialmente no mercado de carbono.
O presidente da Comissão Especial de Transição Energética, deputado Arnaldo Jardim, defendeu que a transição seja conduzida com equilíbrio e segurança jurídica. “Ao invés de uma dinâmica que muitas vezes temos, nós devemos ter convergência e apresentar um lindo país”, disse. Para ele, a mudança da matriz energética precisa ocorrer “com harmonia com aquilo que é uma realidade dos combustíveis fósseis”, garantindo estabilidade econômica durante o processo.
O debate também abordou o argumento de que biocombustíveis competem com a produção de alimentos. Parlamentares e representantes do setor defenderam que o modelo “fuel versus food” é estruturado na integração das cadeias agroindustriais, no ganho de produtividade e no aproveitamento de coprodutos, afastando a ideia de competição direta entre energia e segurança alimentar.
O presidente da FPBio (Frente Parlamentar do Biodiesel), deputado Alceu Moreira, afirmou que o aprofundamento técnico é essencial para evitar retrocessos. “Quanto mais conhecermos sobre esse tema, menos espaço teremos para retrocedê-los”, declarou. Ele também criticou comparações pontuais de preço com o diesel. “Basta ter um aumento do preço e as pessoas querem comparar dizendo que está mais caro que o diesel.” Segundo o parlamentar, o setor é capaz de gerar autonomia energética em qualquer região do país.
O deputado Pedro Lupion, presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), afirmou que a consolidação dessa agenda é resultado de um processo longo de articulação. “Foi um longo caminho para conseguir chegar até aqui”, disse. “O nosso agro mais uma vez sendo a solução para o nosso país.” Ele destacou que o setor superou períodos de incerteza e hoje reúne condições para avançar com previsibilidade e responsabilidade ambiental.
Representando a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o diretor Pietro Mendes ressaltou o papel da regulação na garantia de qualidade e proteção ao consumidor. “A ANP atua na cadeia de abastecimento de combustíveis, desde a produção do biocombustível até o elo da revenda”, afirmou. “É necessário assegurar a qualidade do produto, de modo a garantir o interesse do consumidor final.” Mendes reforçou que o Brasil está comprometido com a transição energética e com a sustentabilidade.
O diretor da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), Donizete Tokarski, afirmou que o setor está preparado para avançar com responsabilidade regulatória e compromisso com o abastecimento. “O setor de biodiesel conhece bem esse caminho. Estamos prontos para avançar, com aprendizado regulatório, avanço em qualidade e compromisso com abastecimento.”
Já o diretor da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), André Nassar, alertou para o volume de investimentos necessário nos próximos anos. “Para chegar lá em 2035, precisamos dobrar nossa capacidade de esmagamento. É bastante investimento que vem aí”, afirmou. Segundo ele, a expansão da capacidade produtiva deve caminhar junto com previsibilidade regulatória e estabilidade de mercado. “Dar tranquilidade sempre ao consumidor brasileiro.”
O representante da Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil), Camilo Adas, afirmou que o Brasil construiu ao longo de décadas uma trajetória consistente na área. “O Brasil já desenhou o mapa do caminho e ele vem sendo traçado desde 1974, na segunda onda do etanol, quando o brasileiro convenceu a indústria alemã a fazer o carro flex e, depois, o híbrido flex”, declarou.
Adas também chamou atenção para o uso de biocombustíveis em eventos internacionais recentes. “Se a gente olhar a COP30, tivemos um fenômeno que precisa ser debatido: geradores que estavam com nosso biocombustível nacional”, afirmou, destacando a capacidade do país de oferecer soluções energéticas já disponíveis e aplicáveis em larga escala.
O seminário teve como objetivo subsidiar os trabalhos da comissão especial e consolidar os biocombustíveis como eixo estruturante da transição energética brasileira, com foco em segurança energética, desenvolvimento regional e redução de emissões.